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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Metodologia da Redação / Alcino Simões

Um texto é uma mensagem
Para o autor, um texto exterioriza os seus pensamentos. O texto fica fora do autor, libertando a sua memória. Permite-lhe relacionar o que já sabe (pois está escrito) com o que quer saber (que ainda é questão). Escrever aprimora o pensamento.
Um texto permite aceder a um pensamento ordenado de outra pessoa em qualquer momento. Escrever é um acto de comunicação que permite ao autor divulgar ideias com maior rigor do que a oralidade. Escrever “bem” é transmitir correctamente uma mensagem aos potenciais leitores.
Um texto é considerado “bom” por um leitor quando lhe fornece algo que não possuía. “O segredo de um bom artigo não é talento, mas dedicação, persistência”(*).
Na redacção de um texto, cada "escritor" utiliza a sua estratégia. Quanto mais complexo for o assunto a escrever, mais exigente é o domínio do processo de escrita. O esquema e as sugestões a seguir devem ser consideradas pistas para reflexão, contribuindo para o aperfeiçoamento da metodologia da redacção.

 


Metodologia da redacção de um texto

Metologia da redacção
 
1º Escrever o título, a ideia, as palavras-chave e as fontes de informação
  1½º Pesquisar, Ajustar, Reler
2º Escrever as frases
  2½º Pesquisar, Ajustar, Reler
3º Acrescentar ideias/temas/conceitos
  3½º Pesquisar, Ajustar, Reler
4º Responder às questões da comunicação necessárias: o quê? quem? onde? quando? quanto? como? porquê? Para quê? …  
  4½º Pesquisar, Ajustar, Reler
5º Acrescentar as pertinentes imagens/esquemas/tabelas
  5½º Pesquisar, Ajustar, Reler
6º Dar a ler a outro e anotar os comentários
  6½º Pesquisar, Ajustar, Reler


Sugestões:
1. Aproveitar a inspiração para o texto – Sabendo com alguma antecedência que terá de escrever o texto, vá anotando as ideias que vão surgindo (poderão esfumar-se …). Vale a pena o esforço de registar as suas ideias, mesmo numa situação delicada (por exemplo, inicio do sono).
2. Definir datas para as etapas do texto – Terá de ser persistente na redacção do texto. Um texto nunca fica acabado à 1ª, à 2ª, à 3ª, …, à 10ª, …, à 30ª, …
Esquece o texto durante dois dias (pelo menos) e depoia relê-o como se o estivesse a descobrir.
3. Elaborar títulos explícitos – Após a escrita das palavras-chave, pode ser necessário definir umíndice com os nomes dos capítulos e/ou sub-capítulos ordenados.
4. Identificar o texto - Um texto deve ser referenciável. Ou seja, possuir: título, autor, data e endereços (editora, instituição, cidade, site, e-mail, …).
5. Conduzir o leitor – Um texto tem a sequência
   Introdução >>> Desenvolvimento >>> Conclusão
e cada uma destas pode ser novamente abordada nessa sequência.
- A “Introdução” prepara o leitor para o texto, assumindo a forma de uma apresentação, uma síntese, um preâmbulo ou um prelúdio.
- O “Desenvolvimento” é o corpo do texto, esclarece e evidencia o tema, relaciona conhecimentos, expõe opiniões e argumentos.
- A “Conclusão” é o desfecho do texto onde se liberta as ideias essenciais, podendo assumir a forma de resumo ou epílogo e, eventualmente, incluir uma avaliação do trabalho/texto.
6. Utilizar as palavras mais ajustadas ao leitor – O texto fica aperfeiçoado se, enquanto escreve, o autor mantiver uma imagem nítida do destinatário.
7. Esclarecer os principais conceitos – Os principais conceitos do texto devem ser “definidos” com a devida antecedência. O leitor fica desorientado quando surgem palavras novas ou relações inesperadas entre conceitos.
8. Inserir credibilidade no texto – Acrescentar uma citação, uma referência, uma data, uma quantidade, um exemplo, uma situação concreta, …, tendo pesquisado textos similares.
9. Autentificar o texto – Coloque o seu cunho pessoal, a sua opinião, a sua contribuição, a sua experiência única. “O objetivo de um artigo é convencer alguém de uma nova idéia, não convencer alguém da sua inteligência” (*). Mas tenha cuidado com os preconceitos!
10. Seleccionar as melhores palavras – Um texto é pessoal e cada leitor interpreta-o, desvirtuando a ideia do autor. Efectuar um esforço para escrever o mesmo com melhores palavras, sendo pertinente a consulta de dicionários para encontrar sinónimos ou antónimos. Não esquecer de acrescentar os adjectivos elucidativos.


11. Sustentar a unidade do texto. Cada frase deve ser considerada um contributo para a compreensão da ideia do texto. O leitor deve sentir sempre um “fio-condutor” pelo assunto principal do texto. .
12. Poupar palavras – Escrever o mesmo com menos palavras. Retirar as frases desnecessárias, repetitivas ou inúteis. Escrever frases simples e curtas (menos de 18 palavras). Após a leitura, o leitor deve sentir o texto como uma unidade geral.
13. Eliminar erros gramaticais – A atenção do leitor deve estar no conteúdo do texto e não na sua forma. Esforço por manter um tempo verbal (presente/passado/...) e uma pessoa (nós, impessoal, eu,...).
14. Formatar o texto – Utilizar apenas um tipo de letra e legível (arial, verdana, …), margens 2,2,3,2, parágrafos a espaço e meio e identados (inicio da primeira linha a 1 cm), subtítulos a negrito.
15. Anexar informação – Acrescentar complementos ao documento (apêndices, anexos, índices ou bibliografia).
16. Auxiliar a retenção da informação – Inserir uma imagem, som, animação ou vídeo.
17. Prever a interpretação – Ler o texto em voz alta e com a devida entoação. Faça o leitor reflectir e questionar o texto.
18. Divulgar o texto - Um texto merece ser lido.

As 5 dicas de Ernest Hemingway para escrever textos com efetividade.

Escrever bem faz diferença.                                                  AUGUSTO CAMPOS
Nesta sociedade digital em que vivemos, por mais que os conteúdos multimídia cresçam diariamente em volume e importância, a demanda por textos – descritivos ou narrativos, tutoriais ou de referência, em blogs pessoais, na capa do CD ou no cartaz de um evento – é cada vez maior. A qualidade do texto representa, muitas vezes, a diferença entre o leitor clicar ou não no link, comprar ou não o CD, entender ou não o manual de instruções.



É difícil ensinar uma pessoa a escrever bem, e é difícil aprender voluntariamente a escrever bem, pois isso é algo que vem mais da prática e da leitura, e exige também disciplina. Mas existem muitos manuais de estilo e clareza de redação a que você pode recorrer. Os meus preferidos, que eu leio e releio sempre que posso, são o The Elements of Style e o On Writing Well. Em português eu gosto do Manual da Redação da Folha de São Paulo e pretendo ler em breve o baratíssimo Superdicas para Escrever Bem.
Mas aprender com quem já sabe é algo que eu sempre aprecio, e por isto gostei de encontrar as 5 dicas para escrever bem selecionadas por Ernest Hemingway, um dos maiores escritores norte-americanos, e que sempre se caracterizou pelo estilo conciso, direto e claro. Veja abaixo minha transcrição delas, e um link para maiores detalhes.

As 5 dicas de Ernest Hemingway para escrever bem

Elas são curtas e diretas:
  • Use frases curtas: O estilo de Hemingway ia direto ao ponto, minimalista e genial.
  • Inicie com um parágrafo curto: Veja a abertura deste artigo.
  • Escreva com vigor: Transmita sua idéia com energia, deixe evidente o foco, a intenção.
  • Escreva positivamente: Descreva o que as coisas são, e não o que elas não são. Não diga “não é muito caro”, diga “é econômico”. Ao invés de dizer que o software não tem erros, diga que ele é consistente, ou estável.
  • Saiba reconhecer os seus sucessos: publique os textos em que você acertar, e descarte (ou guarde para depois aprimorar) aqueles que não estão no nível de qualidade desejado.

Como escrever bem – parte 3

Marcelo Maroldi 
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Nos textos anteriores abordei alguns assuntos gerais relativos a escrita: a importância de ler, de ler bem, de treinar a escrita, por exemplo. Depois, passei rapidamente por alguns estilos, como blog e jornal (impresso). Agora, chegou a parte mais complicada.
* Poesia – Escrever poesia não é fácil, definitivamente. Eu diria que escrever boas poesias é uma das atividades intelectuais/artísticas mais custosas que eu conheço. O pior de tudo, entretanto, é que não parece tão complicado assim. Pense aí um pouco, leitor: não é tão difícil, hein? Um pouco de treino e a famosa “inspiração” e temos uns poemas sensacionais! Bom, queria acreditar nisso às vezes... Por que não fazemos um teste? Sente-se agora e escreva uma poesia (depois me mande um e-mail para que eu saiba quais carências teve e o resultado final do teste). Não posso precisar números, mas diria, sem hesitar, que poucos – pouquíssimos – conseguiram terminar. Deve ser por isso que os poetas são tão admirados, que difícil arte dominam! Não vou me alongar neste assunto. Tratarei de dizer o que penso que pode fazer a diferença na confecção de uma poesia. Primeiro passo, para escrever poesia é necessário ler poesia. Você precisa saber como os grandes fizeram e pode aprender um pouco com eles. Se você é um bom poeta e jamais leu poesias durante sua vida, certamente você é uma exceção. Próximo passo, precisa ter vocabulário suficiente. Mais que para outros tipos de literatura, aliás. Encontrar as palavras certas (que se conhece) já não é simples, imagine se você não tem um bom conjunto dessas palavras gravadas na sua mente? Há, também, algumas palavras comumente usadas e é preciso conhecê-las e tê-las à disposição no repertório (alguns poetas e movimentos gostam muito de determinadas palavras!). E a inspiração? Sobre isso nada posso dizer, acredito. Inspiração parece ser aquele sentimento que invade os artistas (poetas, no nosso caso) e os obriga a irem imediatamente para a folha de papel e começarem a escrever. Pode ser uma alegria súbita, uma dor que invadiu o peito, pode ser qualquer coisa que nos estimule a escrever. Uns têm mais e outros menos... Já ouvi poetas dizerem que isso não faz diferença, que escrever poesia é um processo lógico de combinação de palavras e não depende de emoção. Pode ser. E pode não ser... Jamais escrevi algo que tenha valor estando “tranqüilo”. Alguns poetas sentam-se para escrever quando já têm a poesia completa em suas mentes. Outros brigam com as palavras que vão surgindo. Encontre seu próprio caminho. Outra dica, não se apegue a padrões, escreva do seu jeito. Se não quiser rimar, não rime, e se não quiser versejar, não o faça. Trabalhe como se sentir mais à vontade, em especial se você é um poeta amador que escreve sem pretensões literárias. Não sufoque seu talento e sua emoção somente para atender requisitos técnicos. Escreva poesias para você (e para seu marido/mulher/filhos/etc.). Por fim, refaça tudo se não gostar. Comece de novo, se precisar. Treine muito, muito, muito! Não desista, “e se foras Poeta, poetizaras” (Boca do Inferno) .
* Livros – Hoje em dia qualquer um escreve um livro, é verdade. Portanto, não é necessário muito talento para fazê-lo, certo? Bem, infelizmente está certo. Qualquer um pode sentar no seu laptop e começar a escrever um livro (mesmo que não tenha nada a dizer). Pessoas sem preparo algum podem escrever. Depois, pagam para alguém revisar e corrigir, e publicam (e até vendem, sabem?). Para quê talento? Para que ler 1000 livros antes de escrever o seu próprio? Para que escrever e reescrever um mesmo romance durante anos? Para que se preocupar com os adjetivos que vai usar, com os diálogos, com a construção dos personagens? É uma boa pergunta e eu realmente não sei a resposta (embora pensasse que sabia até uns tempos atrás). De certa forma, há uma espécie de estratificação social global que separa pessoas “não ignorantes” das “ignorantes”. Os “ignorantes” não querem escrever como Saramago e os “não ignorantes” não querem escrever como Paulo Coelho. Se você, portanto, não quer escrever como Paulo Coelho, já sabe que precisa ler muito. Sabe, também, que precisa conhecer muitas (muitas mesmo) palavras do idioma (português, no caso), sabe que precisa de enredos bem elaborados (e não fantasias míticas camufladas de histórias), sabe que precisa de frases bem construídas (e não apenas frases para crianças entenderem), sabe que precisa de bons personagens. Se fez isso, já tem um livro. Mas, o que diferencia um texto do outro? Todos podem pegar um bom enredo, personagens fortes e domínio do idioma e terão um bom livro? Não terão... É preciso saber como encaixar isso dentro do livro, quando descrever um personagem, quando (e como) narrar a história, quando colocar diálogo, quando começar e encerrar capítulos, como direcionar o leitor. Tudo isso é difícil, depende de experiência e de capacidade pessoal. É o estilo do autor e penso que não posso dar alguma dica...
* Contos e crônicas – Muitos dizem que escrever contos parece ser um ensaio para escrever livros. Parece, mas não é. Escrever contos e crônicas é mais difícil, afinal, você não tem tempo para esclarecimentos (o que pode exigir linguagem concisa), não tem tempo para mudar de rumo (e, portanto, não confundir o leitor), não tem tempo para se recuperar (um livro pode valer a pena nas últimas 20 páginas, por exemplo). A dificuldade é maior, há mais regras a serem seguidas. Por outro lado, tudo é mais facilmente controlado, há menos perigo de um personagem se contradizer, por exemplo. A grande vantagem que eu vejo em escrever contos e crônicas é treinar sem medo. Imagine que você passou 2 anos escrevendo um livro e quando mostrou para seu editor ele disse que era horrível. Que frustração, não? Um conto se escreve muito mais rapidamente, se não ficar bom você pode refazê-lo sem grandestress, ou mesmo jogar fora. Não é necessário escrever 300 páginas para ver o resultado final. Sendo assim, embora potencialmente mais complexo que livros, os contos podem auxiliar no processo de formação do escritor.
Por fim, saiba a hora de encerrar o seu texto (não importa o tipo). Nem antes e nem depois. Diga o que tem a dizer, e acabe. Ponto final.
Mulheres em Fúria (Cathi Hanuer) – Sexo, trabalho, solidão, maternidade e casamento. Elas resolveram abrir o jogo!
Homens em Fúria (Daniel Jones) – Amor, perda, paternidade e liberdade. Eles resolveram dar o troco!
A editora Landscape lançou uma caixa com os dois livros acima. Daniel Jones é marido de Cathi Hanuer e resolveu dar a versão masculina em contra-resposta ao livro de sua esposa.
Em Mulheres em fúria (306 páginas, 26 depoimentos), ouvimos as queixas (e elas não são poucas) das mulheres para seus maridos, namorados e amantes. São contos autobiográficos que tratam quase sempre de 3 aspectos na vida de casais: sexo, filhos e dinheiro. Como todas são mulheres bem sucedidas profissionalmente (escritoras, editoras, professoras universitárias, etc) é muito presente o assunto entre casais modernos: quem trabalha para sustentar a casa? Incrível como as mulheres xingam os maridos que ficam em casa cuidando dos filhos enquanto elas saem para trabalhar! Os Homens em fúria (256 páginas, 27 depoimentos), por sua vez, reclamam que as mulheres só pensam em suas carreiras e descuidam dos filhos. E esquecem do sexo, evidentemente.
Embora pareça livros de auto-ajuda para casais, não é isso que temos. Estamos mais próximos daquelas reportagens sobre casais de revistas femininas, geralmente tendenciosas. São histórias pessoas, algumas (poucas) interessantes. A maioria, entretanto, repetitivas e comuns.

Para ir além


Como escrever bem — parte 2

Segunda-feira, 27/6/2005
Marcelo Maroldi 
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Conforme disse no "Como escrever bem — parte 1", é essencial ler (bem) para escrever de maneira correta. Mais do que simplesmente escrever sem erros, a leitura nos garante novas possibilidades de textos, novo vocabulário, novas idéias, novos estilos até. Escrever corretamente, apenas, pode ser útil, digamos, num texto jornalístico, mas, não é suficiente para possibilitar a confecção de uma poesia ou um texto literário, por exemplo. Há inúmeras e evidentes diferenças entre os tipos de escrita, e transitar confortavelmente através destes é o objetivo a ser alcançado, algo importante, aliás, afinal, escrever bem significa escrever bem qualquer tipo de texto, certo?
Ao se preparar para escrever algo, alguns passos devem ser seguidos (geralmente inconscientes, na maioria das pessoas). O primeiro deles é identificar claramente sobre o que você vai escrever (excetuando-se, talvez, romances/contos/poesias, tratados na "parte 3" dessa série). Se você não tem a mínima idéia do que dirá no texto, é melhor procurar alguma fonte de informação que possa lhe auxiliar, ou correrá o risco de dizer algo equivocado. Saber sobre o que se vai dizer é metade da tarefa, a outra, aliás, é transformar tudo em palavras, ligá-las de forma adequada e, se for o caso, melhorar a construções e as ligações, em um segundo momento, geralmente. Se você não domina o assunto que irá abordar e não pode (ou não tem tempo para) consultar referências, pense duas vezes antes de começar. Se, ainda assim, precisar escrever por algum motivo, procure relacionar o texto com assuntos/tópicos que domina. Isto é, procure um mote para falar de algo que possa fazê-lo com segurança, tomando apenas o cuidado de encaixá-lo no assunto em questão. Mas, se você for alguém (muito bem) preparado para escrever, pode superar algumas vezes o problema do conteúdo apenas com a elegância do seu texto (o que, fique claro, é uma espécie de estelionato literário, afinal, você enrolou o leitor e ele nem percebeu!).
Bem, se você já tem em mente o que irá abordar no texto, precisa escolher a forma como fará isso. Essa fase é como escolher as suas roupas para vestir: se você vai ao cinema, usa um tipo de roupa, entretanto, se vai ao velório, usa outro tipo, e se vai a praia (ou esquiar), um outro, diferente dos anteriores, mas você precisa ter no seu guarda-roupa todos esses modelos, pois não sabe quando será preciso utilizá-los. Assim, se vai escrever para seu blog (internet/informal), para oDigestivo Cultural (jornalismo/internet) ou uma tese de doutorado(acadêmico), deve se encaixar no estilo esperado pelos que irão lê-lo. Jamais o contrário. Além disso, escrever bem não se refere unicamente ao texto em si, mas o modo como você o apresenta aos seus leitores.
* Internet — Depois dos blogs, essa parece ser a parte mais fácil de todas, não é? Talvez, vai depender muito de que tipo de leitor você tem e que tipo de autor quer ser para estes. De maneira geral, as pessoas não querem textos demasiadamente sofisticados para lerem na internet. Eu, por exemplo, só leio textos muito complexos deitado, com boa iluminação e longe do barulho do computador. Eu não leio nada muito sofisticado na tela do computador, não consigo me concentrar da maneira que é necessário. Portanto, para web, não complique muito na linguagem e no conteúdo. Independente do vocabulário e da forma da escrita usada, os textos da internet não devem ser longos, nunca! Cansei de visitar sites interessantes, porém, com textos gigantescos que levaria 2 ou 3 horas para ler... defronte o computador, evidente (nem todos têm impressora ou querem imprimir). Portanto, se seu texto é grande você já está quase fora. Outra coisa, não encha seu texto com infinitos links. Isso confunde o leitor e deixa seu texto sem graça. Coloque apenas os links realmente importantes para que qualquer um possa entender o conteúdo do seu texto e não um mar de referências perdidas. Esteticamente, separe os textos em parágrafos espaçados, pois blocos muito grandes cansam os leitores. Não use fontes nem cores incomuns (pode não parecer, mas a web tem uma espécie de padrão). Ah, e cuidado com o que irá escrever, pois a verdade pode estar a apenas algumas buscas no Google...
* Blogs — Há muitos tipos de blogs. Alguns têm textos mais bem escritos do que muitos livros que temos por aí. Todavia, não há muita responsabilidade envolvida. É um blog, meu amigo, se eu quiser, escrevo sem acentuar, uso linguagem web, escrevo de qualquer maneira! Isso é fato, por isso escrever para blogs é fácil. Provavelmente, você não irá receber um e-mail de alguém que visitou o seu blog e não o achou bem escrito. Acredito que isso não acontece, mas o contrário sim. Se visitam seu blog — e estão acostumados com esses blogs infanto-juvenis terríveis que proliferam por aí — podem se surpreender, vendo que ele é dos bons, o que é raro na internet. Para escrever bem em blogs é fundamental ser um leitor de blogs. Os blogs têm um estilo próprio, uma forma particular de informar, opinar e divertir, e, se você quer ter um blog, deve se encaixar... As pessoas irão ao seu blog querendo ler um blog (e o que isso significa) e é importante dar isso a elas, não importando o estilo.
* Jornal (impresso) — Parto do ponto inicial que jornal impresso nesse país é artigo de luxo, ainda que as garotas do Saia Justa pensem o contrário! (a propósito, eu gostava tanto da Márcia Tiburi... eu até queria casar com ela, sabe? O que ela está fazendo ali, Deus?). Isso significa que, apesar da educação ser um grave problema nosso, as pessoas quem lêem jornal têm (ou deveriam ter) instrução (é claro que alguns só olham o caderno de esportes, mas, finjamos que não!) e você pode, sendo assim, exigir mais de seus leitores. Como assim exigir mais de meus leitores?, não são eles que nos elegem? Não exatamente, se você escrever difícil (ou assuntos muito restritos), por exemplo, está escolhendo seus leitores (e isso só não muito é bom quando o jornal te solicita, educadamente, que você seja mais acessível e comum). Jornalismo, para mim, é muito — muito mesmo — distante de literatura. Alguns escritores são jornalistas, isso é fato. Mas, de modo geral, poucos jornalistas são escritores. Conheço jornalistas que não leram 20 livros nas suas vidas inteiras... Até sabem contar uma boa história, geralmente baseada em pesquisa árdua e citações nominais, mas são incapazes de escrever um livro pelo menos razoável. É completamente diferente uma coisa de outra. Inventar histórias e personagens é muito mais difícil do que reproduzir os que já existem. No jornal, você sempre tem o tamanho certo da sua matéria, o que quase sempre te impõe limites ruins. Nesse tipo de texto você precisa ser objetivo, direto. Mesmo que seja muito interessante, você não poderá escrever 50 linhas apenas sobre o sapato egípcio do personagem. Escrever texto jornalístico é quase como escrever uma receita de bolo, não há muito espaço para improvisação e nem para o talento particular do cozinheiro. Se você tem liberdade para publicar o que quiser, cuidado. Poesias são lidas por, vejamos, ninguém, ainda que boas. Minicontos parecem atrair alguns curiosos, mas geralmente eles esperam assuntos muito amenos e superficiais. A linguagem?, depende do que se escreve, mas, geralmente, é simples, sem sofisticação, mas dentro dos padrões da mídia impressa.
(Continua...)
Alexandre, o grande - E.E. Rice
Quando chegou as telas o filme Alexandre (de Oliver Stone, com Colin farrell, Angelina Jolie e Anthony Hopkins), as editoras mundiais não perderam tempo em lançar livros sobre o assunto (lembro que a Folha de S.Paulo publicou os títulos que sairiam, motivados pela exibição do filme. Eram uns 6 ou 7, creio). Um deles é Alexandre, o grande(E.E.Rice, Editora Nova Fronteira, 2004) .
Em cerca de 100 páginas, com letras e espaçamento grandes, além de mapas e imagens, a autora procura dar uma visão geral sobre este importante nome da história mundial. Todos os argumentos são baseados em conhecimento comprovado a cerca dos fatos, visto ser a escritora uma arqueóloga, e, portanto, despreza lendas, mitos e histórias duvidosas (o que, na maioria das vezes, é o que agrada aos leitores comuns). Fora isso, é a história de Alexandre, muito rapidamente descrita (para ser lido em uma tarde e nem precisa ser inteira). Serve como introdução ao assunto.

Para ir além


Como escrever bem — parte 1

Marcelo Maroldi 
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Escrever bem não é uma das tarefas mais simples dessa vida, isso é fato, mas, de modo geral, escrever corretamente é algo acessível a todas as pessoas praticamente. Deixando de lado os fatores sociais e econômicos, escrever, pelo menos de maneira adequada, depende de uma série de fatores, que, normalmente, podem ser conseguidos individualmente, sem dependência de mestres ou incentivos de qualquer natureza. Evidentemente, a habilidade de combinar palavras, aliada a capacidade de inventar (ou narrar) histórias e descrever cenários interessantes são bastante pessoais, porém, podem ser desenvolvidas e treinadas. Felizmente, ninguém está fadado a escrever mal toda a vida...
Não pretendo fazer nenhuma espécie de manual de boa escrita ou de como se tornar um escritor, até mesmo porque não saberia como fazê-lo. Para isso, basta procurar na web que há inúmeros textos desse tipo, estilo manual de redação para vestibulandos (aliás, geralmente péssimos, pois, quase sempre não parecem considerar fatores fundamentais). Desejo, entretanto, explicar a minha visão de como evoluir no assunto e de como criarei meu filho para que aos 18 anos ele não precise ler manuais de como escrever bem para fazer a redação do vestibular, se ele quiser prestar, a propósito.
Antes de entrar nas Maroldicas, convém inicialmente oficializarmos a separação entre os tipos de escrita, afinal, escrever para um blog não é similar a escrever para o New York Times, assim como escrever para o saudoso Notícias Populares não é como escrever um livro. Pretendo abordar todos esses tipos de escrita, se possível, estendendo-o até as colunas futuras, se o editor desse Digestivo não me der o bilhete azul antes.
Como escrever bem, parte 1 — Antes de começar a escrever...
Nenhum humano nasce escrevendo, parece. Logo, deve existir algo que ocorre entre a saída do útero materno e o recebimento do Pulitzer. Bem, eu não sei o que é esse algo, mas posso chutar. Evidentemente, há casos extremos em que percebemos nitidamente que o escritor é um gênio, o que significa que o cérebro dele foi concebido para fazer aquilo — escrever — melhor do que as demais atividades (e, portanto, melhor que as demais pessoas). Esse tipo de escritor não me interessa pois é assunto da ciência, ele não é um cara qualquer. Interessa-me sim o escritor comum que escreve bem e que é igual a mim, e que deve ter sido "treinado" para isso. De modo geral — e já até demorei demais para falar isso — essas pessoas lêem muito. Diariamente. Incessantemente, às vezes. Na minha opinião, qualquer tipo de leitura treina o cérebro. Portanto, se você não se importar em treiná-lo apenas com vocabulário e linguagem web, leia apenas blogs. Se você não se importar em treiná-lo em frases triviais com apenas 3 ou 4 palavras, leia gibi. Mas, se você quiser um pouco de tudo isso, leia de tudo, mas privilegie as pessoas que escrevam bem, pois elas podem te ensinar mais sobre como escrever do que os que escrevem não adequadamente.
Está bem, está bem, eu disse o óbvio agora. Mas, então, porque as pessoas não fazem isso? Um dia conheci um rapaz que fazia jornalismo e tinha como ídolo literário nosso best-seller Paulo Coelho. Percebi que tinha algo errado, mas fiquei quieto, desconfiado, até receber um e-maildele, contendo mais erros em 10 linhas do que todos os erros que Olavo Bilac escreveu na sua obra toda. Conversamos umas vezes depois... Ele ouvia os nomes e obras consagrados como se ouvisse pela primeira vez o grito de guerra da equipe iraquiana de hóquei sobre o gelo. Um dia, comentei: se você quer escrever bem, não pode ler mal...
O modo como se lê também é importante. Eu sei, ler é ler, certo? Errado. Não são todas as pessoas que lêem da mesma maneira... Ler como lazer não é como ler para aprender. Infelizmente. Seria muito mais fácil se cada vez que eu lesse um texto assimilasse tudo o que está nele, mesmo se naquele dia lia apenas para me distrair, enquanto o bebê confecciona uma sinfonia doce e meu time corria na TV ligada. Esse dia não devo ter prestado muita atenção porque até precisei voltar umas páginas atrás, depois, somente para descobrir o que tinha acontecido nelas... E, se eu quisesse ter aprendido mais, deveria ter analisado o texto, as frases, aprendido com as construções, o modo como ele descrevia a arma usada no crime, os adjetivos desconhecidos que ele atribuía ao assassino. E não fiz nada disso, só li. Eu me distraí, é verdade, mas foi só isso. Eu não tive uma aula de literatura na sala da minha casa naquele dia, ainda que o autor tivesse me mostrado exatamente como ele escrevia...
Bem, meu moleque já sabe que terá que ler, o que ler, quanto ler e até como ler. Agora é só esperar pelo sucesso, não? Não. Ele vai ter que escrever, escrever, escrever. Quando, aos 7, ele me trouxer uma poesia própria (que a mãe dele vai guardar, acredito), não vai ser tão boa quanto aquela que ele escrever aos 10. Nem a dos 15. Se ele parar para analisar, verá que tudo parece ser uma evolução na arte da escrita. Ele poderá ler todos os livros da biblioteca do rei Salomão, mas, se jamais escrever algo, minha editora terá que recusar seu primeiro conto, que estará fraco e imaturo. Daí, quando ele estiver revoltado comigo e ameaçar sair de casa, terei que explicar que o segundo geralmente sai melhor que o primeiro e assim por diante. É treino, meu filho. Você já aprendeu a ler, já o fez suficientemente, agora treine escrever suas próprias histórias e seus próprios personagens... Ele irá até me agradecer, anos depois dessa última aula, pois ele mesmo verá que o texto passa a fluir mais tranqüilamente quando já se escreveu dezenas deles pela vida. Você passa a arriscar mais, repete construções que lhe agradaram, insere vocabulário novo, sabe o que interessa ao leitor, sabe, enfim, escrever.
(Continua...)
Update

Como Escrever Bem uma Redação | Redação

Como Escrever Bem uma Redação | Redação

Como Redigir Textos!!/www.soprando.net


clemilda.jpg
Por Aparecida Clemilda Porto*
A prática da escrita, em especial a Dissertação, é a forma mais solicitada às pessoas envolvidas com a produção de trabalhos acadêmicos e sua divulgação por meio, principalmente, de monografias, teses, ensaios, artigos e relatórios técnico-científicos.
Mas o que significa redigir um texto? E o que é dissertar?
Redigir um texto significa construir atos de interação. Assim como na fala, também pela escrita interagimos com o outro parainformar, expor idéias, persuadir, convencer, entreter, enfim, para manter contato com um determinado interlocutor.
Assim, a prática de redigir textos tem como objetivo estabelecer um tipo de interação social, esta entendida como troca de ações entre indivíduos, uma vez que normalmente ninguém fala ou escreve apenas pelo simples fato de falar ou escrever:falamos/escrevemos para alguém, sobre determinado tema, com algum propósito.
A partir do entendimento dessas definições, podemos preocupar-nos com o modo de escrever ou falar. A dissertação, por exemplo, é um tipo de texto em que expõem-se idéias a respeito de determinado tema, discutindo e interpretando-as. O modo de escrever está relacionado ao contexto de uso do texto e com o seu interlocutor. Como estamos falando da dissertação, no ato da escrita deste tipo de texto, devemos buscarlógica e clareza no desenvolvimento das idéias e obediência aos padrões de linguagem.
Estes são fatores de textualidade relacionados com o que chamamos de Coerência eCoesão textual. A Coerência “é o que faz com que o texto faça sentido para os usuários, devendo ser vista como, pois, como um princípio da interpretabilidade do texto.” (Koch & Travaglia,1989).
Na prática como isso ocorre? Ao escrever um texto, é preciso considerar, primeiramente, o que, para quem e como escrever. Tendo o autor clareza de suas intenções, ele organiza seu texto, visando: a relevância do tema: para isso o repertório textual usado deve levar em conta que este deve ser partilhado pelo leitor; a progressão temática, isto é, na elaboração do texto precisa-se observar se o tema progride com o acréscimo de novas idéias; a informatividade, ou seja, se o texto informa alguma coisa, se as informações não são redundantes, se há suficiência de dados para a interpretação do texto, se não há afirmações sobre o óbvio; a situacionalidade: observar a adequação de registro da língua, ou seja, se o vocabulário está adequado, se partes do texto exigem dados externos para a compreensão, se há emprego de clichês.
Outro aspecto relevante a se considerar é a estruturação formal: a) título: adequação título x conteúdo; b) estruturação do texto: organização em parágrafos: cada parágrafo deve expressar idéias completas; a divisão em parágrafos propicia a progressão do texto, evitando a repetição de afirmações; c) focalização, articulação entre orações e períodos justapostos, o que propiciará a construção da argumentatividade: o texto não deve desviar do ponto de vista apresentado e os exemplos devem se relacionar aos argumentos e estes ao ponto de vista principal.
A Coesão é outro importante fator de textualidade, pois para que um texto esteja bem redigido e atinja plenamente seus objetivos – o de informar e interagir com o leitor – não basta que ele apresente boas idéias, mas também deve estar bem articulado. A articulação pode se dá no nível da frase e no nível do texto, ocorrendo por meio deconectivos e operadores lógicos.
Os elementos de coesão no nível da frase são os que se referem a termos já expressos no texto, como os pronomes pessoais, demonstrativos, possessivos, numerais, relativos, indefinidos, advérbios e expressões adverbiais, e também os que ligam orações, como asconjunções que estabelecem relações de temporalidade, causalidade, oposição, conclusão, finalidade etc. Já os elementos de coesão no nível do texto são elos lingüísticos que estabelecem relação entre parágrafos e partes maiores do texto, comointrodução, desenvolvimento e conclusão. São também recursos que ligam partes do texto e parágrafos expressões como: por exemplo, dessa forma, por outro lado,seqüências de numerais como primeiro, em segundo lugar etc.
Veja no parágrafo abaixo como estes recursos são usados:
A TV é sistematicamente posta no papel de vilã. É claro que, pela sua força de penetração, ela tem o poder de interferir na formação de criança e do ser humano de modo geral. Entretanto, isso ocorre não porque é a televisão, massim porque ela representa o modelo cultural de sociedade.
Assim, se temos que nos preocupar com algo, não é com a TV, e sim com o que somos e passamos pela TV. (…) (Francisco B. Assumpção Jr. Folha de S. Paulo, 25/5/1997, Revista Folha. In. CEREJA. Willian Roberto Cereja. MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: Linguagens. 2005, Atual Editora)
Os pronomes sua e ela são recursos coesivos referenciais, pois retomam o seu referente: a TV. O pronome demonstrativo isso faz referência à idéia apresentada na introdução do parágrafo, ou seja, ao poder de interferência da TV na formação das pessoas. Já os conectivos conjuntivos intra e interfrásticos, entretanto, mas e porque são conjunções que estabelecem relações de sentido de oposição e justificativa, respectivamente. E a conjunção Assim (introduzindo o 2º parágrafo) tem o papel de articulador no nível do texto, estabelecendo relação de conclusão com o parágrafo anterior. Além do uso dos elos coesivos, podemos perceber, no breve parágrafo mencionado, a articulação do texto por meio da introdução em que é apresentada a tese, ou idéia principal: a TV no papel de vilã; no desenvolvimento o autor apresenta a argumentação e a contra-argumentação: a interferência da TV na formação das pessoas e a razão disso ocorrer e na conclusão o fato da própria sociedade ser responsável pelo que é a TV.
Podemos dizer finalmente que escrever é um ato intencional tendo em vista um sujeito-leitor, o que torna específicos o conteúdo e a forma de expressão.
Bibliografia
CEREJA, Roberto William e MAGALHÃES, Thereza Cochar. (2002) Português: Linguagens. V.8. São Paulo: Atual
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça e TRAVAGLIA. Luiz Carlos. (1989) Texto e Coerência. São Paulo: Cortez
SERAFINI, Maria Teresa. (1989) Como Escrever Textos. Rio de Janeiro: Globo.
SOARES. Magda Becker e CAMPOS Edson Nascimento (1978) Técnica de Redação. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico S/A
* Professora (aposentada) de Língua Portuguesa da Escola de Educação Básica da UFU; Mestre em Lingüística Aplicada/UFU