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segunda-feira, 9 de abril de 2012

O verdadeiro significado do corredor !


Eu, Dr. Eu, e a Dra Baju estávamos em pleno atendimento quando percebemos a E. num cantinho nos observando de longe. Pensei:
Deve ser um caso de “timidus chorosus” ou “gritus alarmanticus”!
Continuamos atendendo, mas pra ter um melhor parecer da paciente que nos aguardava, resolvi ligar o meu detector infalível. Ela continuava lá, encostada na parede, apoiada numa perna, enquanto a outra fazia um semicírculo pr’um lado e pro outro.
Bem, não era gritus alarmanticus, tivemos certeza.
Quando finalmente fomos atendê-la, descartamos a possibilidade de ser o timidus chorosus. Ela olhou pra mim, olhou pra Dra. Baju, fez uma cara de quem esconde um riso no canto da boca e correu. Imediatamente, com a pressa que nos cabia, desatamos atrás na mesma carreira. Vimos quando entrou na Enfermaria e fomos atrás, chegamos no exato momento em que ela entrava no banheiro.
Paramos subitamente próximos do leito, pois algo nos dizia: aí tem coisa! O silêncio reinou por alguns segundos. Estatelados no meio da Enfermaria, não ousamos dar nem mais um passo. Ao perceber nossa presença no quarto, a E., do alto de seus três anos e tantos, saiu do banheiro com uma mão na cintura e a outra com o dedo em riste apontando para os dois Besteirologistas atônitos com o ocorrido. Disse:
SAIAM AGOLA DESSE MEU HOSPITAL, SEUS PALAÇOS! HOJE É DIA DA MINHA CILULGIA! NÃO QUELO SABER DE NADA!
Ainda bem que minha peruca, ops, meu cabelo, estava bem preso na cabeça. A Dra. Baju tentou argumentar enquanto caminhávamos decididos com passos para trás:
Ma… ma… mas…
QUIETOS!  SAIAM DAQUIIIIIIIIIIIIIII!
Recado dado, palhaços estatelados. A E. desatou a correr atrás da gente, ao que descongelamos e fugimos. Esbarramos um no outro, erramos a porta, nos confundimos e saímos correndo pelo corredor, e neste exato momento entendemos o verdadeiro significado da palavra “corredor” e agradecemos fazendo bom uso dele. Nem deu tempo de esperar o elevador, desembestamos escada abaixo com a leve impressão de que a E. se deliciava com a vitória…
Dr. Eu Zébio (Fábio Caio)
Dra. Baju (Juliana Almeida)
Hospital Oswaldo Cruz – Recife
Janeiro de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

O DIA DOS BOBOS !


O dia primeiro de abril é famoso por ser considerado o dia da mentira. Mas você sabia que também é o dia dos bobos?
O Bobo da corte e o Palhaço do circo são dois arquétipos que chegam a se fundir ou se confundir, mas são diferentes: o palhaço é um ser desprovido de julgamento e discernimento, enquanto o Bobo se utiliza dessas condições para exercer melhor seu trabalho de se passar por bobo para ter a liberdade de tocar em assuntos espinhosos. E já que hoje é o dia dos bobos, vamos falar deles:
Os Bobos – ou Bufões – eram pessoas que nasciam com deformidades físicas e/ou mentais, que eram vestidas de maneira grotesca e expostas ao escárnio de todos. Em sua maioria, eram anões ou corcundas. Essa deformidade os colocava em posição de inferioridade, o que facilitava a aceitação de seu comportamento ousado. Afinal, o que vem de um ser tão “desprezível” não deve ser levado a sério…
Eles tinham uma função muito bem definida que (ao que se tem registro) começou lá no Egito antigo: eram encarregados de entreter o rei e rainha e fazê-los rirem. Ter um bobo da corte garantia diversão aos convidados da corte, que estavam presentes em casamentos, festas, batizados e festas para os deuses.
Os Bobos diziam ao rei o que o povo gostaria de dizer e eram as únicas pessoas que podiam criticar a monarquia. Os mais hábeis eram considerados verdadeiros sábios pois conseguiam manter o sutil equilíbrio da diversão sem se comprometer muito.
Passaram pelas cortes e chegaram ao circo, onde passaram por um processo de refinamento e dividiram o espaço com o palhaço de circo. Mas o palhaço de circo é uma longa história para outra data…
Feliz primeiro de abril!
Referências:
NOGUEIRA, Wellington – Doutores da Alegria o Lado Invisível da Vida
DE CASTRO, Alice Viveiros – O Elogio da Bobagem

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

MUITO OBRIGADO DOUTORES DA ALEGRIA !!!!

21 anos – a maioridade

janeiro 3rd, 2012
2012 é o ano da maioridade dos Doutores da Alegria. Fundada em 1991 por Wellington Nogueira, a ONG comemora neste ano 21 anos de atuação junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde. O próprio Wellington nos conta um pouco do que foi o ano de 2011 para os Doutores da Alegria:
Wellington Nogueira










“Somos totalmente responsáveis por todos os nossos atos perante a sociedade. Se, em 1991, o palhaço profissional entrando regularmente no hospital era uma novidade, hoje é uma realidade que gerou uma folha corrida bem extensa de desdobramentos e rompimentos de fronteiras: do surgimento de mais de 555 iniciativas semelhantes pelo Brasil ao fenômeno dos universitários da área de Saúde que aprendem técnicas de palhaço para melhor trabalhar com os pacientes e estabelecer conexões plenas com eles. Médicos que também se formaram palhaços e hoje trabalham integrando ambas as profissões com mais propriedade, em benefício dos pacientes. Palhaços visitando locais de trabalho, onde o adulto se interna, como diz a veneranda dra. Ferrara… Se formos vasculhar, não vamos parar de encontrar pelo mundo todo exemplos incríveis de maluquice beleza instituída, compartilhada e reconhecida! Tá dominado! Este é um momento em que cada um de nós pode fazer história, promovendo uma verdadeira virada. Vide “Fora, Wall Street!”.
Quando investigo todas essas ações e as demandas crescentes para transportar esse conhecimento para outras áreas – como educação e trabalho – percebo que o denominador comum é: queremos ser mais felizes. O professor Serge Ouakine, da Universidade de Toronto, diz que a felicidade é o encontro de duas alegrias: é possível ser feliz sozinho, mas a alegria
acontece quando é compartilhada. Na besteirologia, entendemos que alegria é sair da nossa zona de conforto para tornar melhor a vida de alguém. Nunca falamos tanto da tal da sustentabilidade e, surpresa, ela começa com a qualidade de nossa relação com a vida. Consciência de mim e da minha relação com o outro, para a construção coletiva da alegria.
Para construir esses futuros desejáveis precisamos de imagens inspiradoras, já diz a futuróloga Lala Deheinzelin.
Juntando tudo isso, assumimos, na maioridade, esse compromisso, de contaminar as pessoas para a construção coletiva de alegria. Sim, anos e anos de individualismo adoeceram o mundo e o pior: a enfermidade do mundo é o reflexo daquela iniciada por nós. Existe antídoto? Sim, dentro de cada um de nós há a capacidade de sairmos de nossas zonas de conforto para corrermos o risco de tornar melhor a vida dos “alguéns” à nossa volta.
A maioridade é isso: trazer para o mundo o resultado da educação e da formação que recebemos. Obrigado a todos os nossos mestres, em especial, as crianças que tanto nos ensinaram ao longo dessa jornada.”